A Consciência

O que é o “ego”? O que é ter essa consciência de nós mesmo? O que nos torna únicos? Vivencias? Lugares e relações sociais que vivenciamos? São muitas perguntas com muitas respostas ou uma única?

Talvez um dos primeiros pontos no processo de começarmos a construir o entendimento sobre nós mesmo, seja de reconhecermos nosso reflexo. Habilidade essa que também é observada em algumas espécies de macacos, golfinhos e até corvos. Claro que nenhum deles vai além disso, chegando no questionamento mais filosófico e científico.

Nos últimos 50 anos, foi descoberto que o hipocampo é crucial no armazenamento de memória. Isso começou a ficar claro, quando na década de 50, um homem que sofria de epilepsia, teve seu hipocampo e parte dos lobos temporais internos extraídos em um radical procedimento cirúrgico. Sua epilepsia foi curada, entretanto as custas de um complicado efeito colateral, perder sua identidade. Sua noção de quem ele era ficou congelada aos 27 anos, já que nenhuma nova memória era criada. Imagine acordar um dia e não se reconhecer com a aparência de 60 anos!

Isso mostra que nossas memórias são cruciais na formação de nossa identidade, mas hoje em dia, já se sabe que nossas memórias podem ser manipuladas. Todas pessoas que conhecemos, livros que lemos, lugares que passamos e muito mais, cria um conjunto único de memórias. E se elas fossem mudadas, alteraria quem somos? Por exemplo as pressões sócias, podem nos fazer alterar um pouco uma determinada história que contamos. Dependendo do caso, essas variações podem acabar se firmando em nossas memórias e consequentemente assimilamos uma “nova verdade”.

Mas isso, acontece devido as várias vezes que repetimos essas mentiras? Ou porquê realmente gostaríamos que fosse verdade? Na questão emocional a amígdala é a “culpada”, já que ela é responsável de decidir quais memórias terão papel em definir nossas histórias de vida, deixando passar as que possuem carga emocional. E logo após o hipocampo age, gravando-as.

Agora pensemos em um chip, um componente de silício. Se um desses pudesse conter algo próximo ou exato como a essência do que nós somos? Uma máquina poderia fazer o mesmo questionamento que fazemos a milhares de ano? “Quem sou eu?” Existe um projeto de chip, nomeado de SpiNNaker, que significa “Arquitetura de Rede Neural Spiking”. Esse processador opera com a mesma velocidade que o biológico em nossa cabeça e reproduz o equivalente a aproximadamente 16 mil neurônios. Nada comparado ao 100 bilhões existentes nos nossos cérebros.

Esse “cérebro” utilizando num pequeno robô, pode fornecer uma consciência rudimentar, capaz de interagir com o ambiente ao redor, usando o corpo físico para entender o mundo que o cerca. E se um robô construído com um cérebro equivalente ao de um ser humano fosse criado? Ele seria capaz de criar uma identidade? Tendo imaginação, sonhos e emoções? Filmes como “Inteligência Artificial”, “Ex Machina” e “Ela”, são apenas alguns exemplos dos quais recomendo para assistir e refletir sobre isso.

Voltando e finalizando, se sabemos que, a nossa jornada para formar e entender nossa existência e identidade, se inicia lá na nossa formação, no útero de nossas mães. Passando pelo esforço de começar a se locomover pelo mundo, aprender as primeiras palavras, adaptar-se, começar a criar os primeiros vislumbres de autoconhecimento e entendimento. E que nossa identidade é construída aos poucos com nossas memórias, sonhos e imaginações. Tudo isso junto, nos torna extremamente singulares e insubstituíveis, não?

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