333

Nada muito diferente de outros dias, hoje me deparo com os mais variados pensamentos e indagações. Muito resumidamente assim: “O que somos? Como somos? Por que somos? Soa até meio estranho, soa misterioso, soa ponderador”.

O que é ser antes, duas coisinhas sem consciência, pensamentos, ações, existência, essência ou participante ativo deste pequeno-grande planeta? Numa combinação de esferas de diferentes composições, cores, tamanhos e mistérios próprios. Constituindo um sistema que na verdade é parte de um maior, inconcebivelmente maior para nossas escalas costumeiras do dia a dia. Sendo ainda esse sistema maior, parte de um complexo dado como infinito, de tão vasto, que é imaginável, que nos resta apesar aceitar por hora, “infinito”, até que consigamos chegar a resposta mais definitiva.

E então aquelas duas coisinhas, se juntam, formam um, e então passamos a existir, participar e agir. Recebendo a todo momento ingredientes para criar e desenvolver cada vez mais. Ingredientes esses que já existem há bilhões de anos e já foi também as pecinhas de outros seres, de outras coisas, sejam lá qual foram. Aliás, será que isso é o que dizem a reencarnação?

Ingredientes esses que vieram das estrelas, elas que por sua vez ainda não sabemos exatamente de onde vieram. Mas sabemos que elas, a partir de elementos leves, criam os elementos mais pesados que aí então, são usados por nos. Será que essas são as entidades criadoras? Nossos deuses e deusas? Criadores e definidores de nossos destinos?

Bom, pouco tempo depois chegamos a então a consciência, ampliando um pouco mais nossa existência e participação com o meio, que por hora é um tanto apertado, e incomodo para ambos os envolvidos. Talvez não tanto para nós, afinal, nunca temos a consciência plena a ponto de nos lembrarmos deste período. Pouco depois, desbravamos um ambiente maior, um meio maior, acolhido em nossa fragilidade e capacidade limitadas. E aí descobrimos, serão estes dois os deuses na verdade? E as estrelas os Titãs gregos? Existindo assim uma hierarquia de autoria em minha criação? Sendo esses dois, recém descobertos, aqueles que atendem as nossas necessidades e atenções a partir de então? Seriam aqueles ao redor prontos a ajuda-los, anjos? Semi-deuses? O quão complexo isso ainda pode ficar?

Ah pode, temos como objetivo, conseguir nos desenvolver, a pelo menos ao ponto de conseguir aprender, saber, realizar, conquistar, cuidar e amar, no mínimo tanto quanto os nossos deuses. Algumas vezes não queremos, não entendemos como chegar lá, mas somos cobrados e orientados. Chegasse então ao momento de maior clareza, entendimento, ponderação e recordação dos momentos vividos e presenciados. Começasse duras obrigações, duros gasto de foçar de vontade, para isso e aquilo. Só que quando conquistadas essas obrigações e tarefas, nos orgulhamos, mas ainda sim, não temos a noção do quanto isso foi valioso.

Pequenas, mas presentes, preocupações surgem, junto disto temos algumas mudanças, pequenas evoluções diárias, nos deixando cada vez mais próximos de nossos deuses. Implicando em novos planos futuros, novos engajamentos ou mesmo receios, confusões e ímpeto para revolta, justamente por que nosso “mundo” está desabando e dando lugar a outro.

Particularmente, para mim foi o momento de começar a entender e questionar coisas que para alguns, são essenciais e impensáveis de se questionar ou abandonar. Por exemplo? Questões boas e muitas vezes refutadas com respostas igualmente bobas. Por que da fome em diversos lugares? Por que assassinato, roubo, estupro, agressão, pobreza, injustiça, guerra e todas a más sortes que podem acometer alguém? Por que ninguém nota que somos apenas parte de um sistema ridiculamente pequeno, em meio a esta vastidão toda? Por que substituem nossos Titãs apáticos e nossos Deuses e Semi-deuses por ideias imaginativas, incoerentes, pobres, simples e imprudentes. Produzindo um ser todo poderoso, bondoso e tudo mais de bom, que ao mesmo tempo deixa acontecer tudo isso que se ver de errado por aí?

Mas o que se tem e apenas respostas fragueis, que nos dizem que podemos apenas aceitar, que existe um proposito maior, “fantástico demais para você entender”. Só digo que não, ainda sim mantive e mantenho, a minha convicção de uma coisa, tudo é muito mais esplendido, fascinante e admirável a ponto de não me surgi qualquer interpretação simples para caber cada palavra do que sinto sobre o assunto. Talvez um “fantástico demais para você entender”.

E assim a vida se segue, nos leva. Cada vez maiores decisões, escolhas, obrigações, tarefas, cobranças surgem. Até ao ponto de se ficar entorpecido, alheio, desanimado, no “automático”, levando apenas e no “seja o que for”. Nestes momentos que alguns encontram evolução, crescimento, aprendizados, forças e motivações para sair daquilo. Outros infelizmente pode-se dizer que encontram o contrário de tudo isso.

Uma fase que se passa, e aí então chega aquele momento, momento situado nos mais diversos e até inesperados instantes da vida e cada um. Nos tornarmos os Deuses ou Semi-deuses, de alguma entidade que passeará por todos os momentos que citei anteriormente. Que no meu caso, já se realizou-se em três vezes com o Semi-deus. E observando de fora, o que passamos, nos viabiliza uma compreensão ainda maior e completa, do que nos mesmos vivenciamos. E muitas vezes queremos que aquele novo ser, possa ter ou passar por coisas que gostaríamos de ter, ou o contrário disto.

No meu caso, com relação a esta última etapa descrita, me pego no seguinte pensamento: “Em que mundo, atualmente esta entidade foi inserida, em qual mundo estará futuramente?”. Ao mesmo tempo que, presenciamos um mundo em continuo progresso tanto tecnológico, cultural, de conscientização (mesmo que através de passo curtos) e outras coisas boas. Vemos também, ao que parece ser, um aumento significativo do desrespeito ao próximo, a natureza, o meio ambiente e afins. Será mesmo que esse mundo poderia ser melhor? Pior? Está melhorando ou piorando? Não tenho tanta certeza em afirmar qualquer um dos dois.

Me parece que existem muitas pessoas neste planeta, quantidade que parece inviabilizar ao menos de modo coerente, a manutenção dos recursos naturais, que por conta desta mesma quantidade, notamos muito mais ações criminosas, sejam lá qual for a natureza do desrespeito ao semelhante. Ou será que temos um conhecimento maior e quantitativo dessas “coisas erradas”, nos passando a ilusão de que existe muito disso do que realmente existe? Digo isso na questão de proporção.

Exemplo ilustrativo: “1000 habitantes, 1 assalto em 1990, 1000 habitantes, ainda 1 assalto em 2000. Mas de lá para cá, passamos de 10 mil para 20 mil habitantes na cidade”.

Mas podemos pensar na simples, porém real, ideia de que as crianças de hoje, são o futuro de amanhã e por conta disso podemos ficar tranquilos, ou não? É bem complexa esta questão, no fim, no fim, eu chego à conclusão de que sim, o futuro pode ser mais incerto do que pensamos, entretanto, aposto numa melhora e evolução muito qualitativa e quantitativa.

Espero muitíssimo que em um breve futuro, digamos algumas décadas a frente no máximo, essa melhora seja real. Quero poder presenciar, quero poder viver neste meio. Quero muito ouvir dizer que as pessoas preferem ler Carl Sagan, Richard Dawkins, Neil deGrasse Tyson, Simone de Beauvoir, Immanuel Kant, Friedrich Nietzsche e tantos outros, sejam filósofos, pensadores, biólogos, astrônomos e por aí vai. Espero uma maior visibilidade e abertura feminina nesses e outros nichos de conhecimento, que apesar de pouca visibilidade, há muito contribuem, tais como Vera Rubin, Christiane Nusslein-Volhard, Rosalind Franklin entre muitas outras.

Espero ainda que as pessoas se desprendam de superstições, em acreditar em coisas simplesmente pelo fato de quererem. Que sejam muita mais criteriosas, céticas e avidas ao conhecimento consolidado. Que sejam mais avidas em entender de verdade a grandeza, complexidade e beleza sem tamanho de tudo que existe. Precisa dizer que “deus quis”? Que ele fez tudo inteligentemente? Por que não apreciar a nossa capacidade, mesmo que está ainda seja limitada, para buscarmos o entendimento de cada coisa mínima que for e ao mesmo tempo comtemplar e aproveitar tudo isso.

Pare agora e olhe para o primeiro objeto que lhe vier no campo de visão. Olhe atentamente e perceba, o quão complexo aquilo, imagino de fora e imaginando cada detalhe e nível de peças, elementos até os átomos. Pergunte-se sobre a complexidade daquilo ser viável. Pense como cada corpo celeste também pode se equiparar a um átomo no meio da imensidão do universo. Tente imaginar e perceba, quão únicos somos e o quanto devemos erguer a cabeça, aproveitar a vida da melhor forma possível, com esse ínfimo tempo que temos de passagem por aqui. O quanto podemos fazer essa passagem ser valiosa, tanto para nos quanto para os ao nosso redor. Quanto se percebe que você veio de poeira de Titãs como o nosso Sol, que você foi então criado pelos Deuses como seus pais e que você também será um (ou é um já). E que no fim de tudo voltará a poeira estelar, “reencarnando” muito em breve nos mais diversos seres, porém sem a sua participação consciente. Ai sim perceberá, o quão pequenos somos, mas que temos a capacidade de deixar um legado sem precedentes.

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3 comentários sobre “333

  1. Ótimo texto meu caro colega. Nossos pensamentos indagadores são bem parecidos, mas uma coisa resume a dificuldade das pessoas aceitarem as coisas simples como elas são, “orgulho”. Não sei de onde vem esse sentimento. Mas tal palavra em seu simples significado poderia se resumir em “eu tenho orgulho de ser quem eu sou”, mas essa frase vem carregada de tudo aquilo que você citou no texto, a dificuldade de aceitar as coisas grandes do Universo e se conformar com as respostas que estarão sempre prontas.

    Curtido por 2 pessoas

    1. Observação não menos que exata rs! Parece que orgulho pessoal, como vc disse, orgulho de querer estar certo e acho que somado tb, um pouco de…medo de aceitar que pelo menos por hora, não temos certeza de vida após a morte ou que tenhamos um “pai” superpoderoso, superprotetor e criador nosso…medo do desamparo com relação a isso.

      Curtido por 1 pessoa

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